Subprefeito da Sé culpa catadores por sujeira
Fábio Leite
Ele admite fiscalização falha, mas diz que moradores de rua rasgam sacos.
O subprefeito da Sé, Amauri Luiz Pastorello, admitiu ontem que a região administrada por ele, no centro da capital, “está suja” e citou como causa a ação de moradores de rua e de catadores
de recicláveis.Emdepoimento à subcomissão da Câmara que investiga os serviços de varrição de rua e de coleta de lixo no Município, Pastorello afirmou ainda que há falhas na fiscalização dos contratos.
“A área da Sé está suja. Nós temos grandes problemas na região. E oc ontrato traz dificuldades que pioram a situação. Por exemplo, muitos catadores de material reciclável e moradores
de rua rasgam os sacos e o lixo fica espalhado e o que não está ensacado não é recolhido na coleta”, afirmou o subprefeito, ao ser questionado por vereadores se o centro da capital não estava sujo.
Pastorello foi convocado depois que o diretor do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb),Cesar Mecch Morales, afirmou na semana passada que a Construfert, responsável pela varrição na região central, não recebeu nenhuma multa este ano, apesar do flagrante acúmulo de sujeira, enquanto que a média anual de penalização das outras quatro companhias que operam na cidade gira em torno de 250 penalizações. Sub prefeito da Sé desde março, Pastorello chegou a citar que há 8 mil moradores de rua no centro. E eles acabariam sujando as ruas ao mexerem nos
sacos de lixo, após o serviço de varrição ter passado pelo local.
Segundo ele, a subprefeitura mapeou 270 “pontos viciados” onde isso ocorreria. “É um verdadeiro absurdo culpar os moradores de rua pela sujeira, sendo que o serviço é malfeito. Ele (subprefeito) se mostrou uma pessoa totalmente despreparada e que não serve para ocupar o lugar que ocupa”, reagiu o vereador de oposição Arselino Tatto (PT). Pastorello até admitiu falhas na fiscalização dos serviços, feita por amostragem na região dele por 11 agentes vistores.
Esse método irritou até parlamentares governistas. “Não concordocomessa fiscalização tato-visual sem instrumentos de medição”, diz Milton Leite (DEM).
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo